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ELLIADD

 

 

Conferência Internacional

 

 


Métodos visuais de pesquisa em comunicação

 

 

3 & 4 / 12 / 2018

 

Universidad de La Laguna
Canary Islands
Spain
Facultades de Comunicacion y de Bella Artes

CHAMADA DE TRABALHOS

Esta é a primeira chamada de trabalhos para a conferência “Métodos visuais de pesquisa em comunicação” a ser realizada nos dias 3 e 4 de dezembro de 2018, na Universidade de La Laguna, em Tenerife, Espanha.

Pesquisadores das ciências humanas e sociais que usam métodos visuais, geralmente, contam com a contribuição da antropologia visual ou da sociologia fílmica. De fato, nas ciências humanas, a antropologia está entre as primeiras disciplinas a integrar imagens em protocolos de pesquisa através do trabalho de campo etnográfico – dos quais constitui-se um corpus de documentos iconográficos – e a mobilizar sucessivas gerações de pesquisadores.

Depois do filme de Robert Flaherty, Nanook of the North, a primeira referência fílmica entre os antropólogos visuais, o trabalho icônico de Evans-Pritchard, com The Nuer (1940), e os de Margaret Mead e Gregory Bateson, com Balinese Character (1942), participam da base histórica acerca do percurso da antropologia visual. Em termos epistemológicos, Margaret Mead ofereceu o livro The Principles of Visual Anthropology (1975). Até hoje, esta obra permite aos antropólogos e sociólogos interessados em métodos visuais afirmarem, com menor dificuldade, sua singularidade em relação aos pesquisadores, por vezes hostis, do mundo acadêmico.

A pesquisadora britânica Sarah Pink (Pink, 2003), em sua ambiciosa empreitada de apresentar um inventário internacional da antropologia visual, descreve que o reconhecimento acadêmico se estende devido à influência de outras disciplinas, como a psicologia. As ciências da informação e da comunicação, reconhecidas institucionalmente na França na década de 1970, não estão fora dessa influência. No início do século XXI, sua abordagem contemporânea em encruzilhadas férteis e interdisciplinares (Ibanez Bueno, 2006), a fizeram integrar abordagens complementares nas ciências da arte ou na psicologia, como na presente pesquisa. Na associação disciplinar mobilizada aqui, o "uso de traços visuais para a descrição dos estilos de vida presentes e passados ??de comunidades específicas" (Leeuwen, Jewitt, 2001) é totalmente assumido e superado pela investigação conjunta da “profunda reflexividade" (MacDougall, 1998), dentro de uma metodologia visual evolutiva, assim como seus objetivos, protocolos e experimentos.

Os registros fotográficos, de áudio e de vídeo, têm sido utilizados há muitos anos em pesquisas científicas, particularmente em um contexto de mediação. Os antropólogos desenvolveram métodos, técnicas de implementação, descrição e análise, de registros de campo (De Brigard, 1979) (De France, 1982). O objetivo é, neste caso, muitas vezes duplo: permitir seu uso tanto como fonte científica quanto na apresentação do trabalho na forma de documentário (Lardeau, 1995). A democratização das ferramentas de gravação e processamento, o desenvolvimento de dispositivos específicos (ou a troca de dispositivos existentes) incitam os pesquisadores a realizar e explorar muitos registros audiovisuais (sejam visuais, auditivos ou a correlação dos dois).

Gravação de traço simples:

- completando (ou substituind) as anotações;

- facilitando o trabalho colaborativo;

- permitindo observar elementos que não podem ser identificados diretamente;

- ilustrando, concretizando experiências;

- memorizando um ponto de vista sobre a experiência para evitar um trabalho posterior de contextualização do conteúdo do experimento;

Da criação de registros como fontes experimentais (Lamboux-Durand, 2016), essas fontes audiovisuais são utilizadas de forma muito empírica, sem métodos específicos, porém, de modo suficientemente estruturado e sustentado, promovendo sua justificativa científica.

 Na esteira da antropologia "pós-moderna" iniciada por Clifford e Marcus, a etnografia não é mais considerada "a experiência e a interpretação de uma outra realidade circunscrita, mas sobretudo como uma negociação construtiva envolvendo pelo menos dois sujeitos conscientes politicamente significativos" (Clifford, citado por Copans, 2002). Eles sugerem o desenvolvimento de novos estilos experienciais, interpretativos, dialógicos e polifônicos (que podem contribuir para uma forma de triangulação dos resultados). Assim, o conhecimento antropológico baseado em uma descrição sistemática perdeu sua autoridade em favor de uma descrição etnográfica baseada mais em experiências, onde se desenvolve uma nova antropologia visual na qual a imagem é usada de maneira mais subjetiva e reflexiva para melhor descrever e compreender as experiências sensoriais do Outro (Pink, 2007). 

Tendo em vista que hoje os resultados icônicos não podem se limitar a uma narração fílmica clássica, outras formas não-lineares e interativas são apropriadas, como hipermídias da pesquisa.

O objetivo desta chamada – como uma extensão do trabalho coletivo "Métodos visuais e mundos digitais" (Ibanez Bueno et al., 2017) – é poder destacar diferentes práticas de pesquisa, a fim de avançar para uma compilação de ferramentas, métodos, observações de campo e/ou experiências, evidenciando o potencial dos métodos visuais no campo dos estudos científicos em Ciências Humanas e Sociais. Métodos visuais são entendidos aqui como a apropriação de métodos baseados em imagem, em seu desenvolvimento e integração de ferramentas digitais (Pink, 2003) (Ribeiro, Bairon, 2007).

Em que medida é necessário enquadrar o protocolo de implementação de gravação para que possa ser usado? Em que medida o contexto da experiência influencia o registro e os resultados obtidos? Existem métodos ou ferramentas que podem ser generalizadas? Podemos (ou devemos) definir (sistematicamente) um método ou metodologia específica para o contexto da experiência?

Além de descrever experiências, métodos tais como o método de Parkour (Petrova, 2017) ou re-situ subjectif (Schmitt, 2012), as contribuições podem abordar outras dimensões (éticas, legais ou outras). A distribuição de transcrições de texto não tem o mesmo status das fotografias ou vídeos. Em que contexto podemos explorar fontes visuais que não receberam sistematicamente o consentimento informado (implícito ou explícito) de pessoas no contexto da pesquisa?

A abordagem epistemológica é intencionalmente aberta e não se restringe a uma tradição estabelecida de sociologia visual ou documentário antropológico. Este debate científico iniciado por pesquisadores em ciências da informação e da comunicação está aberto a todas as disciplinas das humanidades e ciências sociais, humanidades digitais e pesquisa nas artes, sendo motivado por um desejo de enriquecimento mútuo. 

 

LOCAL E SINERGIAS DE PESQUISA

As Ilhas Canárias estão conectadas tanto à África, por sua geografia e história, quanto à Europa, como uma região autônoma espanhola de dois milhões de habitantes, cujo renome atinge proporções mundiais. Antes de ir pela primeira vez às Índias, que se tornariam as Américas, Cristóvão Colombo fez uma última parada em Tenerife. O arquipélago situa-se como um ponto importante no eixo de relações comerciais entre a Europa e a América. As dimensões socioeconômicas e simbólicas intercontinentais são, portanto, parte do espírito de trocas frutíferas e internacionais desejadas por esta conferência.

Agradecemos aos responsáveis ??por apoiar a pesquisa em Métodos Visuais, os quais já realizaram um evento em 2016 e a coedição de Visual methods and digital worlds, de Ibanez Bueno, J., Chabert, G., Lamboux-Durand, A., Wanono, N. (2017). Por iniciativa dos laboratórios LLSETI e ELLIADD, a dinâmica dos trabalhos desenvolve-se com o apoio de outros laboratórios de quatro países. Na mesma semana de dezembro de 2018, a Universidade de La Laguna recebe a décima edição do Congresso Internacional Latino de Comunicación Social iniciado pela Revista Latina de Comunicación Social. As sinergias científicas são esperadas entre os dois eventos, cujos edifícios das Faculdades de Comunicação e das Belas Artes apresentam arquiteturas arrojadas. Em condições favoráveis, é possível participar em dois eventos:

http://www.revistalatinacs.org/18SLCS/2018_convocatoria_x_congreso.html

Jacques Ibanez Bueno – LLSETI – Université Savoie Mont-Blanc

Alain Lamboux Durand – ELLIADD – Université Bourgogne Franche-Comté

REFERENCES

BATESON, Gregory et MEAD, Margaret, 1942. Balinese Character: A Photographic Analysis [en ligne]. S.l. : New York Academy of Sciences. ISBN 0-89072-780-5. Disponible à l’adresse : https://monoskop.org/images/8/8d/Bateson_Gregory_Mead_Margaret_Balinese_Character_A_Photographic_Analysis.pdf.

DE BRIGARD, Émilie, 1979. Historique du film ethnographique. In : DE FRANCE, Claudine (éd.), Pour une anthropologie visuelle - recueil de publication. Paris - La Haye - New York : EHESS - Mouton éditeur. p. 21?51. ISBN 978-2-7193-0449-5.

DE FRANCE, Claudine, 1982. Cinéma et anthropologie. Paris : Editions de la Maison des Sciences de l’Homme. Travaux et documents. ISBN 2-901725-37-6.

EVANS-PRITCHARD, Edward, 1940. The Nuer: a description of the modes of livelihood and political institutions of a Nilotic people. Oxford, Royaume-Uni de Grande-Bretagne et d’Irlande du Nord : At the Clarendon Press.

IBANEZ BUENO, Jacques, 2006. Création d’un hypermédia virtuel et ethnologique. L’exemple d’une recherche sur les internautes suisses et français. In : Vingt-cinquième bilan du film ethnographique. Du cinéma ethnographique à l’anthropologie visuelle?: bilan, nouvelles technologies, nouveaux terrains, nouveaux langages. Paris - Musée de l’Homme : s.n. 2006.

IBANEZ BUENO, Jacques, CHABERT, Ghislaine, LAMBOUX-DURAND, Alain et WANONO, Nadine (ed.), 2017. Visual methods and digital worlds, CNRS, Universités Bourgogne Franche-Comté & Savoie Mont-Blanc, , Cuadernos Artesanos de Comunicación, Cac137, La Laguna (Tenerife), 140 pages, ISBN 978-84-16458-91-2,

LAMBOUX-DURAND, Alain, 2016. Production et usage de l’audiovisuel en contexte scientifique - Les témoignages pour des lieux d’exposition. Saarbrücken : Éditions Universitaires Européennes. ISBN 978-3-639-48054-2.

LARDEAU, Yann (éd.), 1995. Jean Rouch et John Marshall?: Les Maîtres fous - N!aï, the story of a!Kung woman. In : LARDEAU, Yann (éd.), Carnets du docteur Muybridge. S.l. : Documentaire. 3. p. 145?158. ISBN 2-910572-02-1.

LEEUWEN, Theo Van et JEWITT, Carey, 2001. The Handbook of Visual Analysis. S.l. : SAGE Publications. ISBN 978-0-7619-6477-3.

MACDOUGALL, David, 1998. Transcultural cinema. Princeton, N.J., Etats-Unis d’Amérique : Princeton University Press. ISBN 978-0-691-01234-6.

PETROVA, Illyana Valentinova, 2017. Le Parcours Commobile?: Des pratiques numériques en situation de mobilité?: approches interdisciplinaires et visuelles de l’immersion. Thèse de docorat. Chambéry : Université Grenoble Alpes.

PINK, Sarah, 2003. Interdisciplinary Agendas in Visual Research Re-situating Visual Anthropology. In : Visual Studies. 2003. Vol. 18, n° 2, p. 179?192.

PINK, Sarah, 2007. Doing visual ethnography: images, media, and representation in research. London, Royaume-Uni de Grande-Bretagne et d’Irlande du Nord : s.n. ISBN 978-1-4129-2348-4.

RIBEIRO, José da Silva et BAIRON, Sérgio (éd.), 2007. Antropológia visual e hipermedia. Lisboa, Portugal : Afrontamento. ISBN 978-972-36-0869-4.

SCHMITT, Daniel, 2012. Expérience de visite et construction des connaissances?: le cas des musées de sciences et des centres de culture scientifique [en ligne]. Thèse de doctorat. S.l. : Université de Strasbourg. [Consulté le 7 août 2013]. Disponible à l’adresse :

http://www.museographie

COMITE

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SUBMISSÕES DE PROPOSTAS DE COMUNICAÇÃO

As propostas para um artigo ou comunicação para duas leituras cegas devem ser enviadas até o dia 1º de julho para jacques.ibanez-.fr e alain.lamboux-durand@univ-fcomte.fr. Os textos completos dos trabalhos aceitos serão aceitos.

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Desde maio 1º de julho de 2018 10 de julho 15 de outubro de 2018

com a seguinte diretriz:
• Título da contribuição
• Dados dos signatários (até três pessoas por apresentação - comunicação), nomes, instituição de origem, email e telefones
• Pessoa que apresentará no congresso
• Um máximo de 6 palavras-chave, separadas por;
• Resumo, não maior que 300 palavras
• o texto completo (20000 30000 sinais / espaços incluídos), até 15 de outubro de 2018.

INSCRIÇÕES

International Conference

Visual methods for research in the fields of communication

Professores
e Pesquisadores

Estudantes

 

Até 31 de outubro

Apresentação

140 euros

60 euros

Com apresentação (s) em Conferencia Latina

170 euros

80 euros

A partir de 1 de
novembro

 

Apresentação

170 euros

80 euros

Com apresentação (s) em Conferencia Latina

200 euros

100 euros

+ Os  certificados do orador serão personalizados e serão entregues apenas aos oradores inscritos .

+ Delegados sem  apresentação de trabalhos receberão um  certificado de participação.